
A África do Sul intriga e encanta por sua diversidade natural e cultural. Um país difícil de descrever e sintetizar. Uma terra de florestas, savanas, uma costa entrecortada por incríveis praias, colinas cobertas por vinhedos e montanhas áridas. Cenários que nos remetem a costa Australiana, aos vinhedos da Califórnia, sertão do nordeste e até mesmo às montanhas do Canadá.
A diversidade humana também nos leva a buscar outras referências para compreendê-la. As tradições ancestrais do povo Zulu representam o espírito do continente, as cores e formas da arte nativa Ndebele lembram os modernistas, as vestimentas e aromas de Durban trazem o tempero da cultura indiana, as comunidades rurais conservadoras "africaaners" expõem o rigor desbravador Holandês, o legado Britânico se sente na cosmopolita e sofisticada Capetowvn, o intrigante som de língua Xhosa evidencia a dificuldade em tentar entender este mosaico cultural.
Onze idiomas oficiais demonstram a grande diversidade étnica de um povo que só pode ser descrito com a composição de todas essas diferentes faces e modos de vida.
Um país com uma economia dinâmica desenvolvendo modernos centros urbanos e elegantes zonas residenciais, convivendo com os cinturões de miséria nas “Townships” - legado do “Apartheid” institucional que a separação sócio-econômica preserva. O poder político negro e econômico branco no desafiador caminho da convivência e de uma nova composição social do país.
A agricultura tradicional de subsistência nas tribos de um lado e de outro a tecnologia avançada na produção do mais renomado vinho Sul Africano.
Uma campanha publicitária de África do Sul traduz bem a diversidade natural, cultural e sócio-econômica do país: "The world in a country".
Um país ainda pouco conhecido para os brasileiros que a próxima copa do mundo vai ajudar a desvendar.

Ao pensarmos em África nosso imaginário nos remete imediatamente a vida selvagem das savanas.
Os parques nacionais como o Krugger nos possibilitam realizar a fantasia de observar os animais selvagens em seu habitat natural. Oportunidade única de cruzar por girafas, zebras e antílopes, e com sorte localizar os big 5 – rinocerontes, leopardos, búfalos, leões e elefantes. O mais legal foi ser guiado por um “ranger” do povo Tsonga, nativo da região, com grande conhecimento dos animais e das propriedades medicinais e práticas das plantas e árvores.
A experiência de um acampamento no meio da savana, ao redor da fogueira sob o céu africano, com os sons dos animais na escuridão, nos faz reviver a sensação dos primeiros exploradores Europeus desbravando o continente.


Na Província Kwa Zulu-Natal vive o historicamente guerreiro povo Zulu. Apesar de derrotados pelos africanos e britânicos, preservam sua língua e costumes e o rei zulu é ainda reverenciado governando nas questões tradicionais do seu povo. No povoado que visitamos, o poder de se comunicar com os ancestrais faz com que a "Sangoma", líder espiritual, seja freqüentemente consultada. A dúvida é por quanto tempo ainda costumes ancestrais, como do povo zulu, serão preservados com sua maior interação nos centros urbanos.

A capital da província do território Zulu, Durban, apesar de ter um movimentado mercado de medicina tradicional africana, é uma cidade que nos transporta á Índia.
No período de dominação Britânica foram trazidos milhares de indianos para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar. Seus descendentes, um século depois, compõem metade da população da cidade.
Foi em Durban que Gandhi, vítima de discriminação racial, inicia seu caminho pacífico contra desigualdades que o leva a líder de independência da Índia.
As feições, aromas, o "curry" e os "sarees" completam o cenário da maior cidade indiana fora da Índia.



Ao chegarem em Jeffreys Bay esquecemos que estamos na África e mergulhamos no internacional "life style" do surf.
J'Bay, como é conhecida, é a "mecca" para surfistas do mundo inteiro em função de sua onda direita, considerada uma das melhores do planeta.
Esta comunidade de 40 mil pessoas abriga em seus backpackers, com o o "Island Vibe", jovens dos 5 continentes atrás da onda perfeita e do astral descontraído local.
Um dos maiores campeonatos de surf, o Billabong, acontece aqui em Julho. No verão do hemisfério sul triplica de população, mas ao longo do ano todo a comunidade internacional ligada ao Surf circula por seus bares e surfshops.
Chegamos em J´Bay em super estilo – cavalgando pelas dunas e bosques junto a praia com o pôr-do-sol de um lado e a lua surgindo do outro. Um lugar super especial.

Um roteiro a ser percorrido de carro é a Garden Route entre Port Elizabeth e Capetown. Além do “surf life style “de J'Bay, a adrenalina do maior bungue jump do mundo no TsiTsiKamma Park, o charme do Waterfront de Knysna, as intrigantes formações rochosas do cango caves, cavalgar avestruz em outdhoorn, muita praias como Wilderness e Mosel Bay ao longo do caminho.


A história da África do Sul está ligada a Capetown, onde tudo começou. Os portugueses passaram por aqui no final do séc. XV, os holandeses estabeleceram um entreposto comercial no séc. XVII e caiu sob dominação britânica no séc. seguinte.
Uma cidade fascinante com uma charmosa marina, o "waterfront", com a imponente "Table Mountain" ao fundo. Encantadores bairros residenciais em torno do centro histórico, uma costa desenhada com baias e enseadas, colinas e vinhedos no interior.
A ensolarada Capetown tem praias como Camps Bay freqüentada pelos ricos e famosos mas também "townships" de 1,3 milhões de favelados nos arredores da cidade.
A animação de Long Street, a diversidade no bairro Malaio e os melhores museus do país são outras atrações da cidade. Um passeio por seus arredores deve incluir degustação de de vinhos em "Constância" que produz vinhos selecionados desde o séc. XVIII.
Imperdível, também, seguir a sinuosa estrada contornando a península que leva até o cabo de boa esperança desvendado por Bartolomeo Dias em 1486 que abriu o caminho comercial marítimo às especiarias das Índias.
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