Egito
O Egito Antigo me fascina desde garoto. Afinal a terra dos faraós, hieróglifos e múmias encantam toda criança. As pirâmides, o canal de Suez e a barragem de Aswan são obras impressionantes, mas foram personagens como Ramsés e Cleópatra, que me levaram de volta ao Egito. No início de 2008 acompanhei um grupo com o historiador francês Alexandre Roche numa imersão pelos 5 mil anos de civilização Egípcia. Segue abaixo os “Highlights” do roteiro que incluía o Cairo, centro da cultura árabe e islâmica, a Alexandria Mediterrânea dos Ptolomeus, e um cruzeiro pelo Nilo desvendando os templos do Egito Faraônico.
.: MÊNFIS & GISÈ – nos arredores de Cairo
Pouco restou da capital do Antigo Império, Mênfis, construída pelo faraó Menes, unificador do Alto e Baixo Egito em 3000AC. Já na necrópolis de Saqqara se destaca a pirâmide escalonada projetada pelo genial Imhotep, arquiteto do faraó Djoser, que serviu de modelo para as grande pirâmides de Gisé – Cheops, Chefren e Mycherinos – construídas há 4.500 anos.

.: NILO
Em uma simples felluca ou em um luxuoso cruzeiro, navegar pelo Nilo por entre campos cultivados sombreados por tamareiras, é retomar o curso da história desta civilização fluvial desvendando templos milenares ao longo do trajeto entre Aswan e Luxor. Todo final do dia subia ao convés e com a brisa no rosto, o som do “muezzin” da mesquita no povoado de passagem, e com as mudanças das cores no céu percebia a atração milenar do Nilo.
.: ASWAN – no sul do país
Minha melhor lembrança de Aswan foi o percurso de felluca, larga embarcação impulsionada por amplas velas, seguindo de camelo pelas areias do deserto, passando por mosteiros coptas até um povoado do orgulhoso povo Núbio onde as mulheres mantêm as tradições de pintar as mãos com henna.

.: ABU SIMBEL
O templo mais marcante do país escavado na rocha com 4 estátuas colossais do imponente Ramsés, que governou no período áureo do Novo Império por 67 anos. Vale a pena conferir o esforço da UNESCO que elevou em 65 metros este templo pedra por pedra para não ser submergido em função da barragem de Aswan nos anos 70.

.: LUXOR
Tebas, capital a partir do Médio Império, continua a impressionar com templos como os de Karnak e Luxor, que dá o nome à cidade atual. Minha dica é percorrer o complexo de Luxor com a iluminação noturna criando sutis sombras nas estátuas gigantes de Ramsés, nas pinturas da capela cristã copta e na mesquita dos primórdios da ocupação árabe. Um museu a céu-aberto das transformações políticas e religiosas ao longo da história. Em Karnak a alameda de esfinges nos leva pelo Hypostyle Hall até o templo de Amon. Na margem ocidental do Nilo o vale dos reis com as tumbas dos grandes faraós como Ramsés II, e a do jovem Tutankhamon, descoberta com seus tesouros intactos em 1922. No vale da rainhas o templo de Hatshepsut – que governou com sabedoria em um período de paz e prosperidade.

.: ALEXANDRIA
Após o período dourado da dinastia de Ramsés o Egito entra em decadência invadido por Líbios, Assírios e Persas. Alexandre, o Grande, funda em 331AC Alexandria, e seu general Ptolomeu inaugura uma nova dinastia, que combina a cultura helenista com as divindades egípcias, e proporciona novo esplendor ao Egito como potência Mediterrânea. O final é conhecido, com os romances de Cleópatra com Julio César e Marco Antonio, não evitando a dominação Romana. A maior biblioteca da Antiguidade e o farol de Alexandria – uma das 7 maravilhas do mundo antigo – não mais existem, agora o forte Qaitbey domina o antigo porto de Cleópatra. O palácio de Montazah lembra Farouk, último soberano estrangeiro deposto por Nasser – líder do movimento de 1952 – iniciando a história da nação moderna independente com pouco mais de meio século.

.: CAIRO
A maior cidade da África, Cairo domina a política do Oriente Médio com líderes poderosos como Nasser, Sadat e Mubarak. Centro do poder a partir da conquista árabe em 662, quando as antigas capitais de Menfis, Tebas e Alexandria caem em esquecimento. Ao circular pelas Mesquita de Ibn Tulun, Al Azhar e Mohammed Ali percorremos a história islâmica do país – Abassíada, Fatimida, Mamemuka e Otomana. O país retoma ao palco principal dos acontecimentos no séc XIX com a modernização do país sob Mohamed Ali e a abertura do Canal de Suez em 1869 – ligando o Mediterrâneo com o Mar Vermelho - maior fonte de renda do país desde então. Sugiro também visitar o bairro copta, a cidadela de Saladino e o Museu do Egito com destaque aos tesouros de Tutankhamon e as múmias de Ramsés e Hatshepsut. Imperdível para sentir o Cairo atual é percorrer o bazaar de Khan Al-Khalili e entre barganhas parar para um chá e uma “sheesha” no Fishway´s – e observar a movimentação dos locais.

.: RESGATE FARAÔNICO
A expedição francesa de 1798 comandada por Napoleão cujos estudiosos publicam “description de l´Egypte” resgata a história esquecida do Egito faraônico. Uma ponte de ligação entre a Antiguidade e o Egito atual árabe e islâmico.
.: VÔO FINAL
Em passeio de balão sobre o Nilo, os templos de Luxor e os vales dos reis percebi como me fascinava essa terra e novos personagens para mim, como Djoser e Hatshepsut, da longa história Faraônica. O Egito de hoje, inserido no conflituoso Oriente Médio, entre o Nilo e Mediterrâneo, nos instiga por seu longo passado e atuais desafios. Vale a pena decifrar seus sutis detalhes.
Agradecimento especial ao nosso guia Fouad El Gabri (Gabriel), que nos ajudou a desvendar o passado faraônico e compreender a hospitalidade árabe do Egito atual.
.: Sugestão de Leitura
O romance Ramsés de Christian Jacq nos transporta ao Egito Faraônico e os livros de Naguib Mahfouz – prêmio nobel de literatura – retratam entre outros temas o cotidiano do Cairo atual..
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