Granada,
por Beto Conte
Em minha viagem pela América Central, Nicarágua seria apenas uma passagem entre as praias da Costa Rica e Ruínas Maias de Honduras. No percurso descobri a histórica Granada, uma cidade colonial com muito charme e beleza na conturbada Nicarágua. Ao lançar meu itinerário já descartara Manágua, nunca refeita de terremotos e dos estragos da Guerra Civil. Há uma hora de viagem da Capital, a cidade colonial de Granada, parecia uma boa pedida. A localização era cênica, aos pés do vulcão Mombacho e as margens do Lago Nicarágua.

Ao chegar em sua praça Central, sombreada e popular, rodeada pela Igreja e prédios de outros tempos, sabia que tinha vindo ao lugar certo. Granada, fundada em 1524 por Don Fernando de Córdoba, é Patrimônio Nacional, com todo seu centro histórico preservado.
No entardecer o povo sentado em cadeira de balanço nas calçadas em frente as casas, contribuem com a sensação que o tempo parou por aí.
No anoitecer se percebe que a cidade está viva e atenta com restaurantes e bares charmosos nos aconchegantes pátios internos do casario colonial. A sutileza da luz de velas, a noite estrelada e a tranqüilidade nos faz esquecer o ritmo que normalmente vivemos.
O mais prazeroso de Granada é o seu momento atual. Tem seu passado bem conservado e uma boa infra-estrutura para seus visitantes; sem ter ainda sido invadida pelo turismo de massa. A cidade já tem várias pousadas, hotéis e a “Hospedaje Central” que é o ponto de encontro dos viajantes, com seus dormitórios coletivos, boa música e comida. Como Cuzco e Kathmandu no passado, Granada vive seu momento “traveller”. Viajantes do mundo todo se deixam ficar pelo astral relax do lugar.

Europeus, Australianos e Norte-Americanos circulando pela América Central fazem uma escala por lá. Além disso, Granada é uma boa base para explorar as “isletas” e os vulcões Mombacho e Masaya.
As “isletas” é um arquipélago de centenas de ilhas vulcânicas no Lago Nicarágua, poucas ainda de pescadores. A maioria convertidas em ilhas particulares de lazer como a que pertenceu ao ex-ditador Antonio Somoza e a da Família Chamorro, do maior jornal do país.
No parque Nacional do Vulcão Mombacho tem 5 crateras, inclusive a do vulcão Santiago ainda ativo.
Em Granada, tem um bom cyber café na “Casa dos Heroes” e na excelente pousada “Casa de Francia”. Prédios que lembram o período áureo da cidade que enriqueceu como porto comercial do Lago Nicarágua que tem acesso ao Oceano Atlântico através do rio S. Juan.
Independe dos espanhóis em 1821, o poder na Nicarágua do século XIX se alternava entre a rica e conservadora Granada e a Liberal Leon. A disputa diminuiu com a transferência de capital para Manágua, no meio do caminho entre as duas.
Hoje as Granada é a capital artística do país com o Festival de Gastronomia e Folclore que movimenta a cidade em março. Uma cidade que atrai pelo seu conjunto e seduz nos detalhes.
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