ANTÁRTICA - A Península Antártica
Egon Filter apresenta a inesquecível experiência de viajar para a mais remota região da Terra.

Os geógrafos gregos sabiam que a terra era uma esfera e raciocinaram que deveria existir uma grande massa de terra cobrindo o sul do planeta, para contrabalançar com as massas do hemisfério norte. Muitos séculos mais tarde, os geógrafos da renascença voltaram a discutir a lenda da grande terra do sul: a “Terra Australis Incognita”. Apesar de James Cook muito procurar, ela só foi efetivamente encontrada em 1820 (ainda se discute quem foi). Mas para mim, o que eu realmente vi, foi uma região ainda isolada em uma era glacial...
Navegando desde Ushuaia em um navio quebra-gelos russo chamado Professor Multanovskiy, chegamos as 03hs da manhã, dia claro de dezembro (o bom é que no verão austral a luz nunca desaparece), no Estreito de Gerlache. E foi minha primeira visão do continente: uma cobertura sem fim de um vastíssimo manto de gelo branco, e que invariavelmente terminava junto ao mar na forma de glaciares enormes, tornando impossível qualquer aproximação. O gelo vai se rompendo, caindo na água e formando monumentais icebergs...
Conseguimos desembarcar nos zodiacs (botes de borracha) em um local chamado Neko Harbour. Botei a mochila nas costas e subi numa encosta (não foi fácil, em alguns momentos eu afundava até a coxa na neve): e que visão fenomenal!!! Eu não consigo descrever a sensação que senti naquele momento: sentado numa rocha, eu olhava para as enormes montanhas e colinas brancas no horizonte até chegar na costa do Oceano Antártico, onde o branco absoluto se desfazia em imensos icebergs flutuantes na água azul escura. O navio era apenas um pontinho naquela imensidão e eu, junto aos meus pensamentos, tendo o privilegio de contemplar aquela paisagem incrível.
Mas acho que, de tanto que fiquei de boca aberta com a cena, fiquei com sede. E adivinha: abri minha mochila, tirei uma lata de cerveja Antarctica que trouxe do Brasil para este momento, e apreciei – com moderação... hehehe.
Também navegamos por entre canais estreitos margeados por picos montanhosos de mais de 1000m, baias lindíssimas, enseadas cheias de icebergs e mares semi-congelados, com descidas nos zodiacs em vários pontos.
Os icebergs eram um show à parte: pareciam catedrais, torres, pontes, vasos, silhuetas de animais e pessoas, e tudo mais que a imaginação permitir. E o mais louco é que os icebergs mudam de forma e cor à medida que se passa por entre eles: novos ângulos, reflexões e refrações de luz nos provocam mais ainda a mente nas suas incríveis tonalidades cambiantes, do branco ao azul-turquesa, às vezes com sombras esverdeadas contrastando com a água de profundo azul-escura. Na verdade são gigantes esculpidos pelos ventos e pela água, e que simplesmente fascinam, hipnotizam...
A navegação nos zodiacs por entre enseadas lotadas de icebergs, cênicas ao extremo, com encontros muito próximos aos animais locais (focas e baleias), foi um dos grandes prazeres nesta viagem. E nos desembarques, não poderia ser melhor: pingüins nos recepcionavam com uma curiosidade e um andar cambaleante muito engraçado. Deviam estar se perguntando que tipo de animal com cobertura colorida seria este...
As imagens que vi foram simplesmente fantásticas. São lugares onde os elementos da natureza dominam as grandes paisagens e onde nós, humanos, necessitamos de enorme aporte tecnológico para sobreviver. Enfim, onde inspiramos pureza e a inspiração vem da pureza... E estes foram dias a serem lembrados para sempre – foi quando eu realizei o sonho de conhecer a Terra Australis Incognita... muito, mas muito D+!!! Claro que fotografei até dar bolha no dedo...
Egon Filter (egonf@terra.com.br) Engenheiro (estudante de Direito na PUCRS)
- Lugares conhecidos: Nepal, Índia, Tailândia, Myanmar, Tunísia, Egito, Marrocos, Tanzânia, Chile, Peru, Bolívia, Patagônia, Península Antártida
- Lugares que pretende visitar: Mali, Namíbia, Mongólia, Laos, Vietnam, Camboja...
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