Dublin
Simone Schumacher, que estudou inglês por 4 meses no Emerald Institut em Dublin, nos fala sobre a fascinante capital irlandesa.
“Apesar do cenário esfumaçado a cor esta presente neste país... no verde dos campos, no bege das ovelhas, no azul dos olhos, no vermelho dos cabelos de algumas meninas e meninos sardentos...”.
Nesta terra remota, que foi invadida por celtas, vikings e normandos, enfrentou pestes, fome, massacres e uma guerra civil de resistência a Grã-bretanha, cada pedrinha tem 1.500 anos de tradição... restos de mosteiros e abadias estão por toda a parte...dá ate pra enjoar de tanto ver ruínas de torres e castelo...
A Irlanda, que é menor do que Santa Catarina, tem clima... aqui se originou umas das mitologias mais ricas da Europa...foi daqui que vieram as estórias de fadas que voam e de duendes que carregam potes de ouro...muitos desses contos vem dos tempos dos celtas...
Por menos que se saiba sobre a Irlanda, uma coisa todo mundo já ouviu falar: o IRA, ou Irish Republican Army, organização armada terrorista que surgiu para apressar a independência do país como um todo, que era controlado pela Inglaterra.
Para entender o IRA é preciso recuar séculos na história.... quando os reis celtas da Irlanda se converteram ao catolicismo...Com a invasão inglesa, lá pelo ano de 1.200, a questão religiosa passou a ter importância...no inicio todos eram católicos, mas quando o rei Henrique VIII e sua filha Elizabeth I transformaram a Inglaterra em um império anglicano, a questão do catolicismo ferveu. A Irlanda virou para os ingleses uma espécie de inimigo no quintal de casa, pronta para se aliar a Espanha e a Franca, também católicas e maiores rivais da Inglaterra.
Neutralizá-la tornou-se uma questão de honra... Assim, as terras dos irlandeses católicos foram desapropriadas e seus donos substituídos por protestantes ingleses...uma cruel repressão proibiu aos católicos o exercício da religião, o ingresso no exercito e o acesso as escolas.Enquanto os católicos empobreciam, os protestantes - concentrados no norte - prosperavam.
Em meados do século passado, os próprios ingleses se deram conta de que era preciso dar autonomia a Irlanda, mas quando ela veio em 1949, o norte simplesmente se recusou a se separar, e desde então o IRA vem tentando reunificar a Irlanda.
* Se quiser saber mais sobre a questão política, assista "Traídos pelo Desejo" e "Em Nome do Pai".
Mas o IRA não atua na Republica da Irlanda, na parte que é independente e que tem Dublin (quem vem do irlandês dubh lim ou piscina negra) como capital.
A cidade que começou como uma aldeia pantanosa fundada pelos viking foi ganhando graça e hoje é cosmopolita... em Dublin pode-se ouvir línguas de toda o mundo, incluindo o português.
A arquitetura, que impera nas ruas de Dublin, é georgiana de predinhos retangulares e baixotes, feita de tijolos e bay windows, com portas encimadas por uma meia-lua de vidro, que tem como função iluminar o vestíbulo. O estilo, típico do século 18, é considerado elegante e poderia ser enfadonho se não fosse o espírito do contra dos irlandeses que resolveram pintar cada porta de uma cor diferente.

No inicio, todas eram pretas como ainda são em Londres. Mas diz a lenda que, quando o marido da rainha Vitória morreu, em 1861, as ordens foram para que todas as casas estampassem nas fachadas bandeiras pretas de luto. Um bom irlandês, porem, jamais perderia essa chance para fazer desfeita aos ingleses. E, por isso, no dia do enterro do príncipe Albert, as portas de Dublin amanheceram coloridíssimas, lançando a moda que veio para ficar.
Cortada pelo Rio Liffey, Dublin é mais elegante ao sul e boemia ao norte.
Esta terra que costuma ser chuvosa, ventosa e sombria tem personalidade forte... os supermercados cobram 0,15 cents pela sacola plástica, caso você não tenha uma reutilizável e o fumo é proibido em todos os bares, cafés, pubs - a cidade tem fama de ter algo como 1.000 - e espaços públicos.
Aqui há uma dezena de nomes para a chuva: light shower, heavy rain, dizzle são alguns e variam de acordo com a intensidade. Dizem que Dublin tem apenas 100 dias por ano sem céu nublado... neste ano os dias do mês de abril foram alguns destes...Nesta terra cheia de nuvens, pode-se ter 4 estações em um só dia, e é preciso estar sempre com uma brollie (sombrinha)...
O sotaque irlandês - bus se fala bos (com acento circunflexo) - a mim parece charmoso, mas pode ser inteligível para quem não esta acostumado...
A economia anda tão bem que o país ganhou o apelido de Cetic Tiger... o salto é decorrência da indústria de telecomunicações e alta tecnologia: a Irlanda é hoje o segundo maior exportador de softwares do mundo, só perdendo para os EUA...
Dos 1,5 milhões de moradores de Dublin, 40% têm menos de 25 anos...
É difícil não ser se ter uma relação de carinho por esta Ilha... Dublin não é uma viagem de ação ou impacto estético... é a descoberta de uma cidade festeira, poética, guerreira e original...e que descoberta!!!
Em Dublin, penso que é bacana conhecer:
- Trinity College - a mais antiga universidade da Irlanda e "casa" do Livro de Kells, um manuscrito maravilhosamente ornado que data de 800 AC;
- The Guinness Storehouse - que conta a história e como é fabricada a Guinness, a cerveja mais popular do país. No último andar tem um bar panorâmico - Gravity Bar - de onde, em dias claros, pode-se ver toda a cidade. No final da visita se ganha um pint para provar a cerveja;
- The Old Jameson Distillery - para conhecer o processo de fabricação do wiskey. Após a visita há degustação;
- Temple Bar - o bairro cultural mais novo de Dublin - onde se encontra música, dança irlandesa, pubs modernos e tradicionais, teatros, cinemas, eventos e festivais etc;
- Irish Museum of Modern Art - acervo e exposições temporárias;
- Kilmainham Gaol (Jail) - uma volta ao passado, que impressiona com os eventos trágicos que marcaram a história da Irlanda e a formação da nação;
- Phoenix Park - O 2º maior parque urbano do mundo. Inclui um campo de pólo e o jardim zoológico de Dublin. As residências do presidente da Irlanda e do embaixador dos EUA estão situadas no parque;
Próximo de Dublin:
- Howth - península de tirar o fôlego, a apenas 20 minutos do centro da cidade;
- Wicklow, o jardim da Irlanda;
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