Cuba por Flávio Wild, viajante, que expressa a sua experiência por lá:

"Nem todas as cidades permanecem para sempre na memória. Algumas escapam pouco tempo depois, outras sobrevivem por apenas um par de anos. Existem cidades que nos repelem; existem cidades que atraem sem fazer esforço. Nos fundos do Hotel Nacional, com a visão da orla e a bandeira cubana tremulando, não existe escolha para o forasteiro atento. Tudo combina com perfeição: a música de Compay Segundo, o sorriso dos alegres habitantes, a beleza da paisagem que oscila com o vento do Norte, explodindo em ondas gigantes contra o Malecón. Fumar um puro Cohiba em meio às galinhas d'angola que perambulam pelo pátio do hotel, beber um mojito na Bodeguita del Medio como fazia Hemingway, proporcionam alegria e tristeza, como se o tempo permanecesse estático. Até mesmo os quarteirões com ratos e casas desmontadas ao longo de Habana Vieja enchem de beleza o espírito do visitante. E o fazem apreciar os pequenos encontros, as festas de aniversário no interior dos cortiços, as meninas com uniformes engomados que retornam das escolas. Existe um ponto de encontro em todos os olhares alegres e desesperados da cidade, uma única razão para viver e suportar as ausências. Quando se escuta o Chan chan , quando se visita a fábrica de charutos Partagás ou o Museo de la Revolución, percebe-se que tudo ali se transformará um dia, como se aquela cidade fosse a única a preparar uma nova e surpreendente história. Todas as tardes ensolaradas em qualquer lugar, durante o resto da vida, serão como reflexos de pequenos instantes em Havana."
Flávio Wild
(post sobre Cuba do blog: http://flaviowild.wordpress.com )