Mostra fotográfica

h i s t ó r i a d e p e s c a d o r











"Fotografar e pescar são coisas parecidas. Para começar, é preciso algum equipamento, também é preciso uma especial vontade de ir à luta, e, mais que tudo, uma esperança e uma fé inabalável de que alguma coisa vai se conseguir. Claro, tem ainda aquela grande dose de paciência. Fotógrafos e pescadores se deslocam para o lugar que supõem certo e lá aguardam que as coisas aconteçam. Às vezes demora. Não se pode exigir já um bom peixe ou uma boa foto. Quando Manuel, Elio e Marcelo concluíram que a Colônia Z-3 era um bom tema, quase tudo ainda estava por ser feito. Em comum, já possuíam a recente paixão pelo fotojornalismo. Colegas de faculdade, decidiram levar em frente e buscar apoio para o projeto de contar em fotos como rola a vida nessa comunidade de pescadores. Um desafio e uma aventura daquelas que só os inquietos se auto impõem. Sem encomenda, somente por determinação.

Três jovens dispostos a descobrir e compartilhar suas singelas e profundas descobertas. A vida simples, de gente simples, que está logo ali e nós não vemos. Oitocentas famílias em noventa filmes. Outro universo a vinte quilômetros do centro de pelotas. Um trabalho documental humildemente buscado no balcão do bar Riacho Doce, do seu Jaime, ou em cada incursão à Ilha da Sarangonha na busca de tainhas, corvinas e camarões.
Um esforço que preserva, entre outras, a imagem do "seu" Polaco, um dos mais antigos pescadores. Levado pela vida, ele continua conosco. Rotina e festa. A Satisfação inigualável de se conseguir o almejado."

Ricardo Chaves - Kadão
Editor de fotografia do Jornal Zero Hora

"mas e se me garantissem que a Z-3, a mais inquietante das formações, pertencia de fato mais à água que ao céu;

que lá uma comunidade lutava tenazmente pela sobrevivência num ambiente acolhedor de cidade interiorana;

que uma senhora de idade poderia ser vista recolhendo conchinhas com as mãos; (...);

que crianças navegavam deitadas de bruços no chão dos barcos e que um menino vinha descalço da padaria para casa trazendo pão para o café da tarde, exatamente como eu costumava fazer no balneário santo antônio? bem, se a garantia chegasse na forma destas fotos, feitas de assombro e realidade, acho que eu acreditaria."

Vitor Ramil

As luzes da Colônia Z-3 ainda podem ser vistas ao longe nas noites da Praia do Laranjal, tocando a água e fundindo-se
com as estrelas.

Já as luzes que iluminam esta História de Pescador começam, lentamente, a apagar seu facho. Este pungente retrato
do cotidiano desta colônia de pescadores encerra sua trajetória em uma última exposição, que acontecerá no Espaço STB-Brasas a partir do dia 05 de Dezembro.

Situada às margens da Lagoa dos Patos, a poucos quilômetros da cidade de Pelotas, a Z-3 poderia ser mais uma entre tantas colônias de pescadores que atravessam esquecidas a passagem do tempo, espalhadas ao longo da costa brasileira. Mas, ao mesmo tempo em que são um retrato de uma cultura pesqueira típica de nossas águas, cada uma delas têm sua cultura única e peculiar. As imagens captadas pelos fotógrafos Elio Stolz, Manuel Nogueira e
Marcelo Curia mostram uma síntese visual do dia a dia de um lugar onde a natureza forja os espíritos. Impetuosos ao
enfrentarem as perigosas águas da maior laguna do mundo para buscar alimento e sustento para suas famílias.

Generosos por saber que é na cooperação que se busca forças para se enfrentar as crises, sejam as resultantes da
falta de investimentos governamentais, sejam as conseqüentes da imprudência da pesca predatória. Mas, acima de tudo, esperançosos, renovando seus anseios e forças nas homenagens a Nossa Senhora dos Navegantes e à São Pedro, padroeiro dos pescadores. Mas, mais do que um registro fotográfico, esta História de Pescadsor cumpre um papel fundamental na conscientização dos habitantes da Z-3.

É como se os quase 1000 dias de trabalho na criação e elaboração deste projeto que através do apoio da Lei de Incentivo à Cultura se transformou em livro e exposição fotográfica itinerante, os próprios pescadores fossem, aos poucos, redescobrindo a força de sua cultura e a beleza da sua localização, incentivados na sua auto-estima e estimulados nas suas capacidades econômico-culturais. Foi uma descoberta mútua, uma sintonia que foi se formando entre fotógrafos e fotografados ao longo destes quase três anos de convivência visitando as ilhas da lagoa, comendo os inesquecíveis bolinhos de peixe da dona Dete, tecendo redes, pescando. Talvez more nesta combinação especial, de vidas simples que se descobriam na riqueza das imagens, o segredo da força especial deste trabalho. Encerrando um ciclo de exposições que teve como maior destaque a honra de representar o Brasil no Instituto Brasil-Itália, em Milão, a História de Pescador se despede. Mas a Z-3 ainda permanece, enfrentando as adversidades com um espírito que se renova a cada dia. Quem olhar estas imagens desejará entender este segredo. Quem navegar naquelas águas num pequeno bote pesqueiro, encontrará uma resposta.



F:3022.1616

Espaço STB BRASAS
R
ua Anita Garibaldi, 1515
Estacionamento em frente,
com preços especiais para os frequentadores

F:3328.7087